Sindrome da Super Mulher

Após algum tempo de ausência, tem-me ocorrido que andei a sofrer de Síndrome de Super-Mulher a achar que poderia fazer tudo: ser a esposa, a profissional, a amiga… e ser perfeita em tudo! Querem saber? Falhei redondamente! E porque conheço várias mulheres que sofrem do Síndrome de Super-Mulher, achei boa ideia escrever este artigo.

 

Recentemente li um artigo sobre uma activista dos anos 60 que lamentava que todas as conquistas feitas na sua geração se resumissem a que a mulher moderna assumisse ainda mais compromissos e responsabilidades (como gerir uma casa, uma empresa, ter filhos saudáveis e felizes, um casamento de sucesso e ser uma amiga disponível para os outros) e ainda estar sempre com o seu melhor aspecto e sempre com vontade de fazer mais coisas!

 

Convenhamos, somos todos humanos e também nos cansamos, certo?

 

Tudo isto me pôs a pensar (vamos ignorar o feminismo do título) no nosso conceito de sucesso. O que é sucesso? Quando atingimos o sucesso? Quem decide se somos bem-sucedidos: nós ou os outros?

 

Sucesso: o novo medidor de felicidade?

 

Se pensarmos em sucesso financeiro, então estamos completamente ao lado. As pessoas mais felizes do mundo não são aquelas que vivem no país mais rico do mundo, em países considerados do terceiro mundo relatamos altos níveis de felicidade.

 

A mesma coisa se passa nos países ricos. Ter dinheiro ajuda a trazer estabilidade mas há um limite para o bem-estar que nos proporciona. Tem de haver mais.

 

Sucesso é tanto um conceito pessoal como colectivo.

 

Ainda é que está o problema. Nós até podemos achar que estamos a fazer um bom trabalho e vem alguém dizer-nos (ou pior mostrar-nos) que não somos assim tão bem-sucedidas.

 

Chamaram-na da escola para lhe dizer que o seu filho está atrasado no seu percurso escolar e você interioriza isso como uma crítica ao seu trabalho como mãe, uma colega de trabalho lhe faz um reparo por você andar mais desleixada… E nos sentimos como um fracasso e umas frustradas. Mas quem pode verdadeiramente dizer que não é uma mulher de sucesso?

 

Na verdade, o nosso conceito de sucesso deve estar em equilíbrio com os standards da sociedade e as nossas próprias crenças. Em que de preferência, as nossas crenças mesmo assim prevaleçam. E lembrar-nos que tal como a felicidade, o sucesso não é um todo nas nossas vidas. Podemos não ser felizes profissionalmente mas sentirmos uma felicidade imensa com a nossa família – isso é ter sucesso.

 

Qual o problema de querer ser uma Super-Mulher?

 

Invariavelmente cairá numa grande frustração assim como um cansaço terrível. A Super-Mulher pensa mais nos outros do que em si mesma, nunca se cansa, nunca diz que não, tem a casa sempre num brinco e está sempre vestida e penteada para ir uma festa. Parece-lhe a história da sua vida?

 

Por isso é que surgem algumas pessoas em consulta a sofrer de depressão e frustração por não atingirem esses ideais de vida que lhe parecem ser impostos pela sociedade. Mas é a sociedade que os impõe ou somos nós que os absorvemos como verdades absolutas?

 

Como não cair no erro de se querer tornar numa Super-Mulher?

 

  • Conheça os seus limites. O dia tem 24 horas. Não há necessidade de querer fazer tudo e esticar o tempo. Se insistir, invariavelmente algo vai ficar para trás.

 

  • Seja humilde. Se não consegue, porque não admiti-lo? As outras pessoas até lhe vão agradecer de você não ser assim tão perfeita!

 

  • Defina prioridades. Uma vez que não pode fazer tudo, qual é o mais importante para si? O menos importante pode ficar para outro dia ou até mesmo esquecido. A gestão de tempo e auto-organização aqui é essencial.

 

  • Cuide de si e faça coisas só pelo prazer de as fazer. Se não estiver bem, não pode dar de si aos outros. Se estiver em modo super-mulher vai ser uma pessoa irritadiça, a questionar-se porque é que os outros à sua volta não se mexem! E vai infernizar a vida dos outros.

 

  • Lembre-se que também é uma pessoa. Esta deve ser uma mais frases que mais digo em consulta. É importante não esquecer que também somos pessoas com necessidades, com fragilidades, com gostos, interesses e vontades próprias. E que às vezes não tem mal fazermos algo por nós próprios (nem que seja passar meia-hora num banho de imersão!)

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