História do Tey

Baseada em um caso real, esta é a história do sul coreano Tey, e ocorre na época pós-guerra entre o Japão e a Coréia.


A Coréia naturalmente se transformou num país destruído, a condição era de muita pobreza; bem diferente do que é hoje. Naquela época o Japão deu uma espécie de auxílio para as famílias desamparadas, que perderam as pessoas responsáveis pelo seu sustento. Havia uma senhora viúva que tinha um filho em idade escolar. Essa mãe foi para o Japão, onde passou a morar em um casebre perto de um rio e uma ponte, num lugar bastante frio. Realmente, o local era muito pobre.


Contudo, a mãe de Tey escolheu esse lugar porque era próximo à escola. Não obstante a toda essa precariedade, essa família chamava a atenção por cuidarem de um cachorrinho. Tey tinha a maior amizade e apreço pelo animalzinho; ele era o seu único amigo. Na escola os japoneses não se relacionavam muito com o Tey, por isso ele era uma criança extremamente solitária. Em um determinado inverno de muita neve, ao caminhar pelas ruas, voltando da escola, Tey percebia, sentia o cheiro de sopa de carne... de comida boa. E, ele falava:


– Puxa mãe, gostaria tanto de comer uma comida, comer uma carninha.
– Somos tão pobres, vai ser tão difícil! – respondia a mãe.

O Tey ganhava comida na escola, era praticamente arroz e chá. Mesmo assim, ele separava um punhado para a mãe e outro tanto para o cachorro e levava para casa. Essa era a refeição principal deles. Um dia, voltando para casa, ao chegar, sentiu um cheiro de carne, um cheiro agradável por todo o ambiente.


– Puxa vida mamãe, você fez carne?
– Você pediu tanto que eu fiz. – respondeu, carinhosamente, a senhora.
E ele comeu aquela sopa de carne maravilhado. Tey, depois que acabou de comer, ficou curioso e perguntou:
– Mamãe, como é que você conseguiu essa carne que estava gostosa, maravilhosa... Há muito tempo eu não comia uma comida tão boa quanto essa. Onde é que a senhora conseguiu isso?
– O que você acabou de comer aí é o seu cachorrinho, a carne de seu cachorro. A mamãe não teria condições de comprar carne para você. É que você pediu tanto... E eu não tive dúvidas, matei seu cachorro e fiz essa carne que você comeu!


Quando ouviu isso, Tey ficou horrorizado! Saiu de sua casa, correndo para perto do rio que estava coberto pela neve, e enfiou o dedo indicador na boca e com toda a força vomitou aquilo tudo que acabara de comer. Tey olhou para a neve, para o vômito. Fechou os punhos e, enchendo os seus pulmões de ar gelado começou a gritar:

– Como dói ser pobre! Daqui para frente eu vou fazer de tudo para nunca mais ser pobre! Eu tenho raiva de ser pobre!


E com essas declarações que lançou ao universo, passou a ser sempre um dos primeiros colocados na escola. Ele teve uma bolsa de estudo para uma escola melhor. O governo lhe deu uma casa melhor e sua mãe, naturalmente, foi com ele. Com o tempo começou a trabalhar nas empresas e foi subindo na carreira, sendo promovido até chegar ao grau máximo que um estrangeiro pode chegar numa empresa japonesa: ser vice – presidente geral de uma multinacional japonesa. Ele conseguiu tudo isso, única e exclusivamente movido por uma determinação, de uma meta para sua vida. Contudo, o resultado veio carregado de muita energia de raiva.


Só para abrir um parêntese nessa história: Tey nunca mais foi pobre, teve tudo aquilo que um executivo possa querer. Todavia, ele colocou tanto significado no seu objetivo, tanto significado advindo dessa raiva, que ele não teve ao longo de sua vida uma família e ainda acabou desenvolvendo uma surdez precoce.

Então, algumas coisas têm que ser equilibradas, porque a energia da raiva tem disso. Ela faz a com que a determinação das pessoas atinja A HISTÓRIA DO TEY m seus objetivos; mas a um custo muito elevado e as outras áreas, as outras dimensões, os valores da vida acabam sendo deixados de lado. Esta é uma reflexão que faz bastante sentido.

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